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Postado em 18 de Agosto de 2018 às 09h35

Tubetes – Ferramenta versátil para a cafeicultura

Dacko - Equipamentos para Viveiro, Montagem de Viveiros, Estufas Metálicas, Máquinas e Equipamentos para preparo e movimentação de mudas, Insumos, Sombreament A cafeicultura é, sem dúvida, uma das principais atividades...

A cafeicultura é, sem dúvida, uma das principais atividades agrícolas do País, sendo o Brasil considerado o maior produtor e exportador mundial de café, gerando uma grande contribuição para o agronegócio nacional.

Considerada uma atividade tradicional de longa data, a cafeicultura se responsabilizou pelo desenvolvimento de diversas regiões brasileiras, passando pelos Estados de SP e PR, e atualmente concentra-se em MG e ES, que se destacam como produtores de café arábica e conilon, respectivamente.

Este comportamento migratório se deu devido a problemas relacionados a diversos fatores, sobretudo climáticos e fitossanitários. Geadas, política econômica, doenças e pragas de solo, destacando-se nematoides, foram os grandes responsáveis pelo insucesso da atividade em regiões como Oeste Paulista e Norte do Paraná.

As mudas

Uma das práticas mais comuns de disseminação de plantas daninhas, pragas e doenças de solo é a utilização de mudas contendo solo contaminado por sementes, fitopatógenos e nematoides.

Muitos cafeicultores que migraram para outras regiões, como os paulistas e paranaenses, que foram para Minas e Rondônia, por exemplo, podem ter disseminado problemas levando mudas contaminadas. Neste contexto, destaca-se a importância da utilização de mudas de procedência e isentas de problemas.

O Estado de São Paulo, por meio da portaria n° 26, emitida pela Coordenadoria de Defesa Vegetal (CDA), estabelece que todos os viveiros produtores e comerciantes de mudas de café devem ser cadastrados e obedecer técnicas como tratamento adequado, para desinfecção e desinfestação dos germinadores a cada nova germinação e do substrato a ser usado; armazenamento e manipulação do substrato em local sem contato com o solo e livre de plantas invasoras; substrato com boa porosidade; água de irrigação e substrato isentos de nematoides, fungos e outros patógenos nocivos ao cafeeiro, sendo vetado o uso de balaios ou sacolas plásticas contendo solo de qualquer fonte.

Demais Estados brasileiros produtores, como Minas Gerais (Portaria 863/2007) e, mais recentemente, Rondônia (Portaria 558/2016), também adotam práticas que respaldam medidas contra a disseminação de nematoides.

Produção em tubetes

A técnica de produção de mudas de café com utilização de tubetes foi derivada da produção de mudas de espécies florestais, que utiliza a tecnologia desde a década de 70 nos Estados Unidos. Consiste em substituir o solo, tradicionalmente utilizado como substrato, porém o maior disseminador de problemas fitossanitários, sobretudo nematoides, por substratos na sua maioria industrializados.

O tubete é um recipiente plástico rígido de formato cônico de 120 mL, podendo ser reutilizável (retornável) após lavagem e desinfecção. Apresenta algumas vantagens, se comparado às mudas de sacolas plásticas (balainhos), como: logística – facilidade no manuseio no viveiro; é mantido em estaleiros, evitando o contato com o solo e melhorando questões sanitárias; menor consumo de substrato; seu formato direciona o sistema radicular por meio de frisos verticais internos; mais leve e fácil de transportar, por utilizar bandejas/prateleiras e caixas plásticas; rapidez e praticidade no plantio, sendo de fácil distribuição e colocação na linha, sobretudo se utilizado em plantadeiras mecanizadas.

Detalhes que fazem a diferença

A produção de mudas de café inicia-se com a colheita de sementes retiradas de frutos maduros (“cereja”) de áreas de produção ou centros de pesquisas (registrados para produção de sementes) de plantas identificadas e com procedência, garantindo a origem do material e evitando cruzamentos indesejáveis, obtendo assim sementes sadias e de alta qualidade fisiológica, garantindo uma boa germinação e mudas de alto vigor.

Após germinadas em germinadores (caixas de areia), são transplantadas em tubetes e levadas ao viveiro para desenvolvimento.

O café conilon

A técnica de produção de mudas de café arábica em tubetes já é bastante conhecida (utilizada desde a década de 90 por viveiristas e cooperativas) e obrigatória desde 2007 no Estado de São Paulo. A tecnologia mais recente é a produção de mudas de café conilon em tubetes.

O café conilon atualmente responsabiliza-se por compor a principal matéria-prima para a indústria de café solúvel, além de gradativamente aumentar sua participação em bebidas oriundas de café torrado e moído, blends de café espresso e nos chamado “3 em 1” , obtidos pelas misturas de solúvel e torrado e moído.

Mais qualidade

A busca pelo conilon de qualidade é cada vez mais o objetivo da cadeia produtiva, sobretudo da indústria torrefadora. Durante décadas, o conilon foi considerado “bebida de qualidade inferior” se comparado ao café arabica, porém, nos últimos 10 anos sua participação vem se tornando fundamental para atender as tendências de consumo da bebida.


    Postado em 30 de Maio de 2018 às 15h36

    Mudas de Café em Tubetes - Futuro do Setor!

    Notícias (5)

    Um fator que tem influência direta no sucesso da formação da lavoura de café é a qualidade da muda. Todos os cuidados devem, portanto, ser adotados para garantir as condições que favoreçam o desenvolvimento das raízes e o equilíbrio entre o sistema radicular e a parte aérea – características de uma boa muda de café. No sistema convencional, as mudas são produzidas em saquinhos de polietileno com dimensões próprias e um mínimo de 36 furos na metade inferior, para drenagem do excesso de água. A composição do substrato consiste em uma mistura de terra, corretivo da acidez, adubos orgânicos e minerais. Desde meados da década de 1990, contudo, um novo sistema de produção de mudas de café começou a ser utilizado na região de Marília, SP, baseado em trabalhos apresentados pela equipe técnica da Cooperativa de Cafeicultores da Região de Marília (Coopermar). Os tradicionais saquinhos de polietileno foram substituídos por tubetes plásticos, que possuem formato cônico, abertos na extremidade inferior para drenagem, com estrias internas para direcionar as raízes para baixo, evitando que se enrolem. A produção de mudas em tubetes apresenta uma série de vantagens, em relação ao sistema convencional.
    Vantagens:
    A primeira diferença significativa é o custo de produção. No sistema de tubetes, o investimento inicial para a produção é muito mais alto, pois, além da estrutura do viveiro, há necessidade da construção de telados metálicos para acondicionar os recipientes, suspensos a cerca de 1 m de altura do solo. Ou a compra das Bandejas Plásticas que podem ser utilizadas no chão. Atualmente, o valor comercial das mudas de tubetes é 30% maior do que as de saquinhos plásticos.
    O maior custo inicial do sistema de tubetes, no entanto, é diluído durante o processo de produção de mudas, por uma série de vantagens operacionais sobre o sistema convencional. O manuseio dos tubetes em telados suspensos é muito mais prático e exige menos mão de obra; a seleção das mudas para o plantio e o reencanteiramento das menos desenvolvidas – operações trabalhosas e demoradas no sistema convencional – são procedimentos mais fáceis e mais econômicos, assim como o próprio plantio. Sem contato com o solo, reduz a contaminação das raízes das mudas por pragas, principalmente por nematoides. Esse isolamento do solo, aliado ao fato de os tubetes serem abertos na extremidade inferior, faz com que a raiz principal (“pião”) da muda cesse seu desenvolvimento ao entrar em contato com a atmosfera, o que funciona como uma poda natural que elimina o “pião torto” – defeito comum nas mudas de saquinho plástico, provocado pelo enovelamento das raízes, quando elas atingem o fundo do recipiente, problema responsável por um grande número de falhas em lavouras formadas com mudas em saquinhos. O enchimento dos tubetes é mais rápido do que os saquinhos, pela diferença de volume entre as duas embalagens e também porque é feito em máquinas de compactar, sendo que o rendimento é bem mais superior que o enchimento do saquinho manual. Já quem opta por trabalhar com as bandejas plásticas, tem a possibilidade de fazer estaleiro para sustentação ou pode colocar elas diretamente no chão, diminuindo os custos de implantação. As bandejas tem pés que não deixa as mudas ficarem diretamente em contato com o solo.
    Os saquinhos são cheios com uma mistura de terra, adubos orgânicos e químicos preparadas pelo viveirista, mistura que, em geral, necessita ser expurgada quimicamente para controle de pragas do solo, principalmente nematoides, em operações complexas, demoradas e caras. Já os tubetes são preenchidos com substratos preparados comercialmente à base de casca de pinus ou fibra de coco, enriquecidos com adubos completos, um substrato de fácil manuseio que dispensa expurgo, por não conter terra em sua composição. O uso de substratos isentos de ervas daninhas é outro fator que reduz a mão de obra, dispensando operações de limpeza comuns na produção de mudas em saquinhos de polietileno. Nos viveiros de tubetes, apesar do substrato ser enriquecido com os macronutrientes e micronutrientes, tal como ocorre nos viveiros convencionais, faz-se um suprimento complementar dos nutrientes, principalmente de micronutrientes, via fertirrigação, pulverização foliar, ou, ainda, pelo fornecimento de adubos de liberação gradual. Isso é muito importante para um bom desenvolvimento do sistema radicular e para a manutenção do vigor das mudas, até o plantio no campo.
    A área necessária para produção de mudas de tubetes é, também, menor do que a área do viveiro convencional, pela diferença de tamanho dos dois recipientes; assim, o consumo de água, defensivos e a mão de obra utilizada serão bem menores no viveiro de mudas em tubetes.
    O transporte das mudas de tubetes para plantio no campo apresenta vantagens importantes em relação às mudas convencionais, uma vez que a operação é mais barata, já que os tubetes ocupam menor espaço e podem ser colocados em caixas plásticas, tanto a muda deitada quanto a muda em pé. Normalmente, consegue-se aumentar em até quatro vezes a capacidade de carga das mudas de tubetes. Sendo possível também utilizar os plásticos para rocambole, onde se tira as mudas do tubete e enrola elas em um plástico, contendo de 25 a 50 mudas cada, para que o produtor não precise devolver os tubetes ao Viveiro, facilitando muito mais para quem planta. Aliás, um defeito grave das mudas convencionais é justamente a movimentação do substrato durante seu transporte, causa de danos mecânicos nas raízes e até mesmo do destorroamento que, quando acontece, aumenta a possibilidade de perdas no campo. A própria operação de plantio é mais prática e rende mais com os tubetes, que são menores, mais fáceis de manusear e de se fazer a remoção das embalagens, não demandando a poda radicular, diferente do que ocorre com mudas em saquinho de polietileno. As vantagens no plantio são maiores também pois existem máquinas utilizadas no ramo Florestal que realizam o plantio mecanizado das mudas.
    Edson Gil de Oliveira - consultor autônomo em cafeicultura
    Andreia Dacko – sócia do Grupo Dacko